flowchart LR
U["Um endereco unico"] --> S{"O que este<br/>aparelho declara?"}
S -->|"nenhuma sessao"| D["Janela no desktop:<br/>camera em orbita,<br/>ponteiro do cursor"]
S -->|"sessao imersiva"| V["Visor:<br/>escala real,<br/>raio do controle"]
S -->|"sessao sobre o real"| A["Camera:<br/>objeto pousado<br/>na superficie fisica"]
D --> M["A mesma logica<br/>de montagem"]
V --> M
A --> M
Introdução
Por onde começar
Um mesmo conteúdo em três profundidades: abra a que responde à pergunta de agora.
Esta é a versão de consulta. O conteúdo está aqui inteiro, quebrado em páginas curtas e pesquisáveis. Serve a quem chegou com uma dúvida pontual e quer sair com ela resolvida, e também a quem prefere ler tudo em ordem.
Com uma dúvida cirúrgica, vá direto ao capítulo do assunto pela barra lateral. Saia de lá sem ter lido mais nada. Começando do zero, siga a ordem em que os capítulos aparecem: são 14, e cada um se apoia no anterior.
Três níveis de profundidade
O texto longo é a versão completa: teoria, derivação, código comentado e as armadilhas que custam uma tarde a quem não foi avisado delas. Leia-o quando o tema for novo. Para recuperar um detalhe solto ele é grande demais, e a barra lateral resolve mais rápido.
A versão reduzida cobre o mesmo terreno numa fração do tamanho. A diferença está no que ela corta: some a discussão — a construção passo a passo, as alternativas, o motivo de a primeira tentativa não funcionar. O que sobra é fiel ao texto longo, e passar de um para o outro não obriga a desaprender nada. O resumo é menor ainda. Ninguém aprende o assunto por ele, e muita gente se salva com ele: serve à revisão de véspera, com o código aberto ao lado.
Fecham cada capítulo três exercícios em dificuldade crescente, sem resposta publicada, e um banco de questões de resposta curta. O banco separa o que você entendeu daquilo que apenas reconhece quando vê escrito, e nenhum dos dois se resolve relendo o texto na diagonal.
O que se constrói pelo caminho
Uma oficina de montagem, servida em três regimes pelo mesmo endereço.
Pegue uma engrenagem grande e encaixe-a no eixo. No computador, você a apanha com um raio disparado do cursor, e a arrasta sobre um plano. No visor, o raio sai do controle — e, num segundo momento, é a sua mão que fecha sobre ela, a 40 centímetros do rosto. No celular, ela está pousada na mesa física à sua frente, e continua lá quando você anda em volta. Três aparelhos, três gestos, uma engrenagem, no mesmo endereço. O projeto é uma bancada de montagem: corpo, eixo, engrenagens, tampa e parafusos, um suporte com encaixes e uma ordem certa de encaixar, que o ambiente cobra de quem tenta atalhar.
Repare no que o desenho esconde. A lógica de montagem é uma só, e não sabe em que regime está rodando. Mouse, controle e dedo são plugues diferentes na mesma tomada — a lógica de montagem só enxerga a tomada.
A economia disso tem número. A bancada precisa de cinco comportamentos: destacar a peça sob o ponteiro, selecionar, agarrar, orientar e soltar no encaixe. Com a tomada no lugar, os cinco se escrevem uma vez, mais três plugues curtos que traduzem cada aparelho. Oito peças de código. Sem ela, cada regime carrega os cinco por conta própria: quinze. O triplo para escrever, e o triplo para corrigir. No dia em que o encaixe aceitar a peça de cabeça para baixo, você conserta em um lugar ou em três — e o terceiro, se descobre depois da entrega, já não tem conserto barato. A conta vale para cada comportamento novo que o projeto ganhar: um a mais na tomada — e a bancada ganha vários pelo caminho — se escreve uma vez; um a mais fora dela, três.
O ambiente cresce por camadas, e cada capítulo entrega a camada que o seguinte pressupõe pronta. Pular um não deixa um assunto de fora: deixa um buraco na bancada, com cara de outra coisa. A engrenagem entra no eixo e escorrega de volta, você passa a noite procurando defeito na física do agarre, e o que falta é a tolerância do encaixe — do capítulo que ficou para trás.
Uma rotina que se sustenta
Duas sessões por capítulo, com o texto fechado na segunda.
Cada capítulo pede metade do esforço em leitura e metade em teclado. Duas sessões, de preferência em dias diferentes: na primeira, leia o capítulo inteiro sem implementar nada; na segunda, abra o editor e reconstrua o que leu, com o texto fechado.
Por que não implementar enquanto se lê? Parar a cada bloco transforma leitura em transcrição — atividade tranquila, de retorno quase nulo. O que fixa o conteúdo é reconstruir depois, sem consulta, porque é aí que aparece onde a memória falhou. E ela falha sempre em algum ponto que parecia evidente na leitura.
Duas dependências cobram longe de onde nascem: a camada de entrada precisa estar escrita como abstração antes de o regime imersivo entrar em cena, e o custo de cada quadro precisa estar medido antes disso. O que passa despercebido numa janela vira mal-estar físico quando o mundo está a poucos centímetros dos olhos, e a partir daí otimizar é condição de uso.
Boa parte do que está aqui roda no computador comum, sem equipamento nenhum. Comece por aí. O visor confirma depois o que você construiu na janela, agora com o corpo inteiro no lugar dos olhos; ele não constrói nada por você, e nenhum capítulo depende de tê-lo em mãos. O celular fecha o terceiro regime: exige superfície plana, luz razoável e paciência nos primeiros segundos, quando a câmera ainda descobre onde a mesa começa.
Deixe-o para depois que a bancada funcionar na janela — depurar duas coisas ao mesmo tempo dobra o tempo de cada tentativa sem dobrar o que se aprende. E a engrenagem do começo é a prova mais barata de que a tomada está no lugar. Se ela sobe na mesa da sala com a mesma linha que a apanha no cursor, o resto do percurso já tem onde se apoiar.